quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Tens algo à dizer?

          Diferentemente do que já foi dito, não sei se tenho muito a dizer. O silêncio, dependendo do caminho, é o mais sensato. E ele grita ainda mais do que muita voz. O silêncio machuca, confunde, amedronta. Mas nem sempre consente. Como saber o significado do silêncio de alguém. Uma incógnita terrivelmente confusa. O silêncio causa medo, recusa.
          E como saber quando falar? E se deve falar? Palavras serão sempre palavras. Caro leitor, preste atenção. Esse velho e manjado ditado faz por jus: ‘’Falar é fácil’’, e realmente é. Falar é muito fácil. Tão fácil que às vezes até machuca. Palavras usadas de forma errada podem destruir muita estrutura por ai.
          Tanto que, para um escritor, sempre há uma frustração, uma tristeza, por que as palavras gostam de sentimentos grandes. Gostam de aparecer só quando não nos sentimos muito bem. Muitas vezes, essas junções de letras, são a fotografia de nossa alma. Não necessariamente sentimentos ruins. Mas lhe pergunto: Já leste um pensamento de alguém que estivesse puramente feliz e que realmente fizesse sentido? A vida não é somada apenas de sentimentos bons.
          Usar as palavras do jeito certo, ah, que dilema. As poderosas palavras, que por si, formam uma frase, que formam um belo texto. Você consegue escrever uma poesia? Eu nunca consegui. Poesias são tão apaixonadas e muitas vezes rimadas, coisa que nem eu consigo ser. Nada de padrão. Nem quero essa função. Sabe, caro leitor, use as suas palavras, suas frases. Use-as para o bem. Critique, mas saiba reconhecer o que é bom. Escreva, demonstre sua opinião, mas saiba ouvir a alheia. Por que afinal, cada um tem suas palavras. Algumas mais tortas em si, mas que em algum momento, fazem sentido. Nem sempre as mais belas palavras são as melhores de serem lidas. Use as suas, mas do seu jeito. Assim como eu fiz.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Primeira crise dos dezoito

          Aquela crise existencial. Aquela que te deixa mais confusa do que o normal. Sabe quando você se sente pronta? Disposta a amar e ser amada? Pois bem, está na hora. Mas, nada me agrada, nem me apetece. Nada me encanta, nem me faz querer mais. Nada. Simplesmente tudo me amedronta.
          Frustrada, busco pensar em outras coisas. Mas o passado me perturba. O qual eu não gostaria de chamar de passado. Não sou um ser liberto. Ainda me sinto muito presa. Não fisicamente, mas a minha alma ainda é escrava, todavia, não sei de quê. 
          Talvez eu possa querer ser escrava, ou nem sou mais. Sabem como é. A cabeça é um labirinto que temo tentar entender. O enigma é essa insatisfação. O fato de não querer mais, não buscar o novo, acovardar-se nas coisas que deram certo, e se contentar com o pouco que já me foi presenteado.
          Já se passaram dezoito anos, e não tenho nenhuma grande história de amor para vos contar. Está tudo desvairado, ter e não ter o que é preciso ao mesmo tempo. O meu instinto só grita: Espera! E desta vez, vou acalmar minha inquietude, minha juventude, minha sede de viver. Vou caminhar pelos anseios da vida com ternura. Quem sabe eu encontre flores no caminho, ou um pássaro que me cante uma canção.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A que mexe com os quatro sentidos

          Impressionante como a chuva une as pessoas. Principalmente no verão. Quando chove, todo mundo vai pra janela, pra porta, pra rua. Aquele cheiro de terra molhada, aquele frescor no ar, o ruído da água caindo que aquieta a mente, e faz com que nos sintamos mais levianos.
          É gente tomando banho de chuva, mãe gritando ‘’tu vai te resfriar, guri!’’. Gente irritada, e gente sorrindo, por estar se molhando. Gente que sai na rua só pra ouvir os trovões e ver os raios. Gente que só molha os pés, gente que se escora na janela e fica namorando a chuva. Gente que tira as plantinhas pra rua para que elas se molhem também. 
          A chuva é parecida com algumas coisas na vida. Um dia, ela é mansa, bonita, faz bem, e é precisa. Outro dia vem destemida, abundante, destrói e nos faz reconstruir. Questão de visão. Tirar proveito enquanto nos é oportuno, por que o amanhã não se sabe.
          Se estiver na chuva, é pra se molhar, meu caro. Cata os teus irmãos, chama eles para se molharem. Refresca-te. Pega um livro, senta na varanda e lê. Sente a beleza da chuva. Por que ela é linda. Sente o cheiro, o vento, escuta os barulhos da natureza. Escreve uma poesia, ama quem tá do teu lado. Aproveita a chuva como se fosse a última da tua vida.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Tudo tem seu tempo?

          Nada deveria prender muito. Nem nada nem ninguém. A liberdade deveria prevalecer. Tudo seria mais fácil, se as pessoas fossem mais flexíveis as nossas decisões. Poderíamos ser como pássaros. Esses sim nos passam o sentido verdadeiro dessa liberdade que, nem sabemos se existe ou não. O ruim é que somos acostumados a perguntar um ‘’o que tu acha?’’, e isso é viciante. Dá para contar nos dedos as pessoas que tomam suas próprias decisões, sem se importar no que o fulano ou o cicrano iriam pensar. As pessoas não procuram entender. Não procuram a flexibilidade, o olhar do outro lado. Cada um, então, toma tal decisão por algum motivo. 
           É claro que, às vezes não tomamos decisões certas. E a vida seria bem chata se fosse tudo corretinho. A vida é pra ser torta mesmo. E ela mostra a cada dia que é. Na busca dessa tal liberdade, só nos prendemos mais. Se quiser liberdade financeira, preciso trabalhar. Se trabalhar, a minha liberdade de tempo é menor. Um fator acaba prejudicando outro. E nesse pra lá e pra cá, o que se buscava, se perde. Vem ai o ‘’quem não arrisca não petisca’’. Porém nem todo mundo tem a coragem de petiscar. É muita decisão, é muita coisa pra pouca cabeça. Querem demais de nós em alguns momentos, ou nós também queremos mais.
          Ouvir que tudo tem seu tempo é bem chato. Por que essa sede de viver não é fácil. Querer tudo para ontem, que tudo aconteça bem rápido e agora. Mostra-se então aquela velha junção de duas palavrinhas que fazem a diferença: calma + decisões. E temos os dois ao mesmo tempo? Não dá. Vamos lá, mundo! Gira a meu favor! Não funciona assim...
          O que resta é respirar fundo. Esperar pela sorte que insiste em voltar. Ver se dá certo. Tentar. E não perder a esperança. Sonhar com o futuro. Sentir a liberdade quando tiver um tempo. E esperar por esse tal ‘’tudo tem seu tempo’’, mesmo não acreditando. Viver, como já disse, é meio torto. Basta entortar também.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Varinha de condão

            Ontem, pensei em perguntar aos pequenos com que trabalho, se acreditavam em mágica. As respostas foram mais do que variadas. ‘’Sim, é abracadabra’’ ‘’ É quando a fada vence a bruxa’’ ‘’São princesas’’ ‘’As varinhas!’’. Então perguntei novamente: E vocês acreditam que a mágica se realiza? O que me surpreendeu, que uma das meninas, com um pensamento mais do que rápido e assustador respondeu ‘’Se a gente quiser muito, sim.’’ Depois, questionei-os se já tinham avistado uma estrela cadente. ‘’Sim, são tão lindas ...’’ E vocês fizeram um pedido? ‘’Sim!’’ O que pediram? ‘’Não sei...’’ E o que é mágica para vocês? ‘’Brilho’’ ‘’Quando os nossos sonhos se realizam’’. Observei o quão puros pareciam os sentimentos daqueles pequenos. E que mesmo com respostas ingênuas, eram tão verdadeiros, e não sabiam que tinham tanto conhecimento, pelo menos o essencial, mais que muito adulto que é culto por aí.
          Parei para pensar nisso, e vi que nós que somos bruxos e bruxas, ou princesas, seja lá o que for. Podemos ser até a própria mágica. Acredito que, tudo o que lançamos ao vento volta algum dia. Felizmente ou infelizmente. Acreditar é só o que basta, afinal. Querer, tentar, fazer a verdadeira mágica acontecer. Não torná-la um mero ilusionismo que é descoberto depois.
          Pensando mais ainda a minha última conclusão foi que tudo depende de nós. Tudo, tudo, tudo. Tentar ser mais bruxa, lançar mais brilho ao vento, para ele voltar depois. Apenas uma boa ação no dia de alguém, já faz sentir melhor, para ambas as partes. Magia, palavra difícil, que no final, todos nós ainda acreditamos um pouquinho.

O vagalume Gregório

           Essa crônica tem um título que não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com o assunto. Mas, já me disseram que NINGUÉM pode entender por que 100% tal autor escolheu tal título, e blá blá blá... E também por que prometi a uma pessoa muito querida que seria esse. Prepare-se.

          Temos que aceitar o que temos. Simples assim. Aproveitar e se moldar a tudo aquilo que a vida nos dá. Transformar coisas por aí. E se não der pra mudar eu mudo. Mas também me livrar daquilo que temos certeza do que não vale mais a pena guardar. E de onde tirar toda essa sabedoria? É pra isso que existem os erros. Quanto mais erros, mais sabedoria acumulada. Chega uma época da vida, que temos a sorte de errar, para melhorar mais e mais.                                Nem sempre terá aquele caminho fácil e cheio de flores para andar. Ás vezes rodeamos as mais claras ruas da escuridão. Com esses erros ganhamos a experiência de perder. Só quem perde, tem. O sentimento de nunca ter tido, com certeza, é pior do que pelo menos ter. Somos injustos e rígidos com nós mesmos. Sem motivo algum. Só por alto flagelo, um masoquismo interior. Como diz a música, vamos nos permitir, se soltar, vai que a liberdade presenteie com inspiração ou criatividade?
         A permissão de voltar a ser criança, a pensar menos e agir mais. Ter menos medo e mais atitude, mais prazer em coisas pequenas. Conhecer e Reconhecer o sabor de um pequeno prazer realizado e a junção deles no final do dia. Nada é feito só de açúcar. Temos nossos dias ruins. Mas, tudo passará, como diz Xavier.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Mãe do mundo


          Inspiração é algo tão diferente para cada pessoa... Tem inspiração da tristeza. Do amor, da felicidade. Algo que para quem escreve, é indispensável. E nem sempre consigo tê-la. Ela vem pequena, e só consigo fazer uma introdução, como agora. Essa foi curta, mas sinto-a crescendo. Foi isso. Ela chegou e foi embora, por que é assim que a inspiração funciona, te da alento para começar, mas o final é por sua conta e risco, como uma mãe que cria o filho, mas quando esse filho cresce só lhe resta observar o caminho que ele ia tomar.
           Mas insiste em voltar. Só precisa de uma jogada de sorte. Continua pelo certo caminho que é pequeno e fácil de andar. É a inspiração que nos faz. E a falta dela é que nos faz deixar de existir. Uma vida cercada de inspiração. Uma nova criação, uma descoberta. Tudo banhado nela.
          Ela pode aparecer de qualquer lugar e quando menos se espera. Ela pode ser até comparada com o amor, que jamais irá aparecer quando se é esperado e sim pode aparecer em um momento de distração, arrebatando indivíduos de tal forma que só resta se entregar de corpo e alma a ela. Afinal essa é a inspiração, algo que te pega de jeito e com vontade, mas diferentemente do amor ela não precisa necessariamente de outra pessoa para acontecer. Só tu basta, e quando ela for embora não vai ficar um vazio a ser preenchido em seu lugar, mas sim um projeto, uma poesia, uma música ou que for que ela lhe trouxe. A inspiração é assim algo belo e arisco que tu só percebe quando já está envolvido.
          E depois que entra no jogo dela, vai ficando bom e bom. É como uma droga. Não querer que passe o efeito. É boa, serena e inquieta. Ela só quer sair, sair, e o nosso corpo que não está muito acostumado, fica sem saber o que fazer com ela. Mas ela não pode ser guardada. Não. Grande demais para nós, e pequena demais para ela mesma. Quando a inspiração acaba, já não temos mais nada. Apenas palavras avulsas. Frias. Apenas palavras corporais. Argumentadas e cheias de padrão. Sinta as minhas palavras voando por volta de você. São fora do padrão, assim como todos deveríamos ser. Mais vida, mais sorrisos, mais inspiração para todos nós.

Créditos: Daniel Reyes