quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

365 dias 31


          Chega mais um final de ano. 365 dias lutados, vencidos. Dias dos quais nós até poderíamos querer desistir, mas não desistimos. Horas infinitas que não passavam naquela sexta-feira linda pra ir à praia. E aqueles minutos, que pareceram segundos nos braços de quem amamos. Perdemos pessoas, ganhamos novos amigos. Renovamos pensamentos e comprovamos algumas teorias. Aprendemos. Esquecemos de fazer tantas coisas e agora queremos correr atrás.
          Quem dera que todo o dia fosse dia 31. Todos sorrissem e fizessem votos de apenas coisas boas como acontece no dia. Que as energias fossem renovadas, que todos tivessem essa esperança, esse brilho no olhar, e que ajudassem ao próximo como fazem no dia 31. Que a família se reunisse... Ah que ficassem todos juntos.
          Quem dera que fosse dia 31 todo dia por causa do amor. Dos abraços. Da alegria. Fosse 31 pela empolgação, pela energia. Fosse 31 pelo carinho, pelos beijos.
Porém não precisa ser 31. Nem para mudar, nem para abraçar, acreditar no amanhã, e nem para fazer dieta. Para renovar a esperança é preciso só um milésimo de segundo. Somos fênix. Não precisa ser 31 para a família se reunir, muito menos para acreditar no próximo. Não precisa acabar o ano para vermos o quanto conquistamos e sermos gratos. Podemos agradecer todo o dia, desde janeiro até dezembro. Mas precisa... não somos capazes de ser enérgicos todo o dia. Até somos, mas não queremos. Essa história de ‘’amanhã eu faço’’, ‘’amanhã eu digo’’, ‘’amanhã eu vejo’’, não adianta mais. O tempo passa mais do que rápido, ontem mesmo era janeiro. 
          Para 2015 eu te desejo 365 dias 31. Cheios de energia, amor, abraços, beijos, e esperança. Feliz ano, e lembre-se: somos fênix.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ricos pobres

             Somos pobres. Sempre fomos e espero que continuemos. Perante a sociedade estamos bem, vivemos bem. Cada um tem o seu emprego, seu compromisso. Todos têm horários corridos, desavenças, cada um tem o seu lugar. Somos ricos. Sempre fomos e espero que continuemos. Perante a vida estamos ainda melhor. Sabemos tudo um sobre o outro, comemos todos os dias juntos. Ajudamos-nos, somos os alicerces um dos outros. Amamos-nos. Somos família, somos amor.

           Se hoje pudesse escolher entre estar vivendo em uma casa bem grande, com empregada, em já ter ganhado o meu carro, ser da mais alta socialite e entre ser o que eu sou, estaria no mesmo lugar.
Eu tenho o maior orgulho. De saber de onde vem, lutar se for preciso. Da mãe que pra mim é quase uma santa. Da garra do meu pai. Eu tenho orgulho de tudo o que eles me ensinaram e de ver que eu sou bem completa. Me ensinaram tudo o que sabiam de melhor! Sou de confeiteira a pintora. Repito que me ensinaram o que sabem de melhor. O que eles não sabem, querem que eu aprenda.
           Sabes quando tua mãe é uma chata contigo? Ela quer sempre o teu melhor. Tua mãe acredita mais em ti do que tu mesmo. Ela quer que o filho dela seja o melhor. Não só mãe. Mas o pai, a avó, a tia. Quem quer que seja. Quem te ajuda na caminhada. 
          Tem vez que me paro e vejo tão ingrata. Podendo fazer mais por mim e por todos que estão ao meu redor e que realmente merecem cada vez mais de mim. Mais e mais, nunca é o bastante. Nunca será o bastante para pagar as pessoas que te fizeram ser o que és. O melhor de ti foram os teus pais que fizeram. 
          Então levanta daí! Já desse um abraço na tua mãe hoje? E, principalmente já agradecesse por teres tudo o que tens e pela tua família? Eu não sou religiosa. Mas desde que comecei a enxergar as coisas a minha volta como literalmente são, só agradeço.
          Mãe, te agradeço por ser o meu maior alicerce. Pai, invejo a tua paciência e quero ter metade da cautela e inteligência que tens. Irmã e irmão, obrigada por muitas vezes me lembrarem de que abraçar e dizer eu te amo não é uma coisa feia.
          E para vocês, pais, que hoje estão se matando de trabalhar para dar ‘’um futuro melhor aos seus filhos’’ lembrem-se que o futuro já é amanhã. E que tudo se vai. A vida, o tempo, o afeto. Quem muito se faz ausente, uma hora sequer faz falta. Cuidem de suas famílias. É o bem mais precioso que a vida dá.
          Agradeçam. Agradeçam mais, e quando pensarem que já são gratos, agradeçam novamente. Obrigada, muito obrigada!


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

EU ODEIO!

        Com o tempo a gente vê que não precisa de muita coisa. Não precisa de algumas pessoas, de algumas regalias, tem coisa que a gente se desfaz, tem coisa que a gente não consegue se desfazer, mas sabe que não precisa. A gente tenta crescer, mas tem tanto sentimento ruim que vem nos impedindo de ter essa evolução da mente e do corpo.
          Comece olhando pra sua própria cola. Mas olhe que termo chulo e feio. Mas olhe, olhe agora. Cada um tem a sua. Umas colas mais compridas que as outras, umas mais sucintas. Tem gente que tenta esconder essa grande cola que tem, mas também aqueles que nem fazem questão.
        Olhou? Agora me diga. Fazia quanto tempo que você não olhava pra própria cola e só prestava atenção na dos outros? Me diga, como ela está? Você não cuida dela, certo? Ela deve estar bem acabada.
         E tem gente assim. Gente que não consegue enxergar além da própria visãozinha medíocre que acha que tem e que sabe, e anda por ai espalhando palavras feias de quem nem conhece, por puro prazer. Prazer no que? Sabe o que é? Isso é falta de amor próprio. ‘’Ai nossa Érika, nada a ver uma coisa com a outra’’. Quer ver?
        Você se ama, não se ama? Você tem uma cor preferida, uma comida preferida e aquela pessoa que odeia, nós todos temos. Essa pessoa, ela te intimida, não intimida? Você já pensou nela, mas não quer admitir. O que ela tem de melhor de você pra ta guardando tanto ódio, hein? Pensou em outra coisa agora, não foi? Pois é. Bam! Te venci. Viu como você odeia essa pessoa porque de algum modo a admira?
        Agora se, você a odeia tanto, e a acha desprezível, acha que ela merece admiração? Ta ai outra razão pra não odiar ninguém. Eu odeio! Claro que odeio, e odeio bastante. Entretanto botando na ponta do lápis, nem vale a pena odiar! Cada um com os seus ódios. Mas agora você já sabe.

domingo, 24 de agosto de 2014

Contratos


          Tinha uma moça. De poucas primaveras, muita inquietação e moderados sentires. Sempre gostou de jardins e do cheiro das flores. Ainda não havia vivido e achava que sabia muito. Queria amar. Tinha um rapaz. De mais primaveras que ela, um pingado desinquieto. Vivia intensamente. Já conhecia parte da existência. Era hipócrita.
         Os dissabores do destino sempre encontram-se em esquinas. Dessa vez, ela vagava pela calçada, aérea. Ele era bonito, andava deslizando. Vistoso, chamou o cuidado dos olhos dela. Cruzaram-se. Ela, por sua vez, assinou um contrato. 
          Os encantos aumentaram e já tinham o sentimento de que um não viveria sem o outro. Mais ela, por que ele vivia com qualquer coisa. Ela não perguntava, não fazia, e tanto amava que não se importava. Ele? Não fazia questão de falar, fazia, começara a gostar.Ela se acha a melhor, conseguiu o que queria. Ele por vez, também. Eram diferentes, ora, como ninguém nunca pode avisá-la? Não é de hoje que se ouve que os mais belos enfardamentos nem sempre contém refinos em seu interior. Ninguém a avisou. Tinha vivido pouco, não queria saber de assuntos sérios. Queria carinhos e calor. Não dava ouvidos aos sons altos que chiavam pela sua volta, insistentes e barulhentos, querendo chamar a sua atenção. 
          Ele também se achava o melhor. Os sons eram sobre ele, então tratava de distraí-la, e o fazia bem. Já tinha experiência, não teria sido a primeira. Tinha confiança, sabia que essa não seria a ultima. Ela, em vez, começou a ouvir os sons, e a questioná-lo. Ele não gostava de explicações, e nem de que lhe tomassem sua liberdade tão liberta. Falaram alto, disseram coisas feias que gente que se ama não fala. Nesse ponto é que se encontra o problema. Ela se convia, e ele? Já nem mais está nessas linhas. Partiu há tempos.
          Ela esperneou, sofreu e morreu. Por dentro. Aprendeu sobre a vida. Transformou-se. Agora ouve os sons antes de sentir o calor. Desconfia até da sombra que lhe segue. Continua amando os jardins e os cheiros florais. Vive. Ela ainda se reconstrói por dentro a cada dia, e superação que a vida lhe impõe. Sozinha. Rodeada por tanta gente, no entanto bem deserta. Tem medo. Não quer matar-se novamente. E sabe que, esse medo de morrer, e de que tudo se repita... É mais outro contrato, que a vida vem lhe querendo a assinatura.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Mais além


           Sinto-me bem egoísta quando vou à seção de notícias ‘’Mundo’’. Sinto-me egoísta por há horas atrás estar decepcionada por não poder comprar aquela bolsa. E me sinto fútil por ainda me preocupar com algo do tipo. Eu sou pequena, às vezes considero-me um nada. Veja o meu tamanho e o desse imenso mundo que me rodeia. Tem tanta coisa além dessa nossa vidinha pacata. Da minha, da sua, e de quem come e dorme tranqüilo todas as noites. Tem coisa errada acontecendo a todo o momento, coisa muito errada. Por vez, fico analisando, que muita gente não vê, além disso. Não vê além da bolsa de marca, do emprego que ganha bem, ou da vidinha boa que tem. Tem mundano que não enxerga. Que não se indigna.
          Infelizmente, o que me inspirou a escrever foi o jornalista James Foley que há pouco tempo foi decapitado por extremistas no Iraque. Fico me colocando no lugar dele. No lugar da família, dos amigos, de verem uma cena como aquela. Lamentavelmente somos seres feitos de indignações e dúvidas, ou podem até chamarmos de rebeldes, que me importa. Quem não pensa julga aquela pessoa que mora no sul do sul e que toma dor por um colega de profissão ter sido morto dessa forma. Seja lá de onde ele for. Ou se mata ou se morre, finalmente. Sempre fui contra os extremismos. Em qualquer coisa. Fanatismos também não me agradam. Tudo que é demais passa dos limites, já tinha razão minha avó.
         No fim de tudo isso, eu sinto nojo e repugno ser da mesma espécie dessas pessoas que matam, aterrorizam e fazem guerra. E hoje de manhã, quando chorei depois de ver tal vídeo não me achei idiota ou coisa do tipo. Eu me senti humana, me senti pessoa, coisa que muito homo sapiens que anda vagando por cima dessa terra não sente... Sabe aquela bolsa? Eu nem quero mais. O que me fez sentir bem esse dia foi só ser gente.


‘’Porque sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam.’’  Carlos Drummond de Andrade

domingo, 25 de maio de 2014

Só sei escrever

     Sempre fui música mal cantada. Arte complicada e texto sem nexo. Eu sempre fui eu por todos os lados. Bem inconstante. Questiono a existência de Deus mas acredito no destino. Amo a minha mãe. Mudo tão rápido que nem o tempo conseguiria me acompanhar. Eu sempre gostei do que todo mundo mais achasse diferente. Eu gosto de desafios e pessoas loucas. E sim, sou uma dessas pessoas. Que são mais fáceis de serem entendidas do que se imagina. Aprendi a me expressar. A sorrir e a levantar quando cair, mas não a amar. Não sei se perdoo ou carrego a mágoa. Querem que eu fique e eu sempre quero ir. Mas ir pra onde? Na verdade eu só quero chegar. Não quero esperar.
     Continuo amando minha mãe. Aprendi a falar o que não precisa ser dito, e a ouvir o que não é falado. Sempre quis aprender a pintar, a tocar violão e a cantar. Mas só sei escrever. Nem sempre faço o bem, mas sei quando é minha hora de fazer. Não sinto mais vergonha de cantarolar na rua, e choro por pouca coisa. Tudo que conquisto nunca é o bastante. Aprendi a ver a beleza nas pequenas coisas. E, principalmente, a beleza nas coisas que não são belas. Ainda me restam algumas dúvidas sobre mim. Dou-me conta de que, no final, eu não sou algo para ser compreendido. Só sentido, observado.
     Eu só quero dançar. Falar, fazer. Só quero espalhar minha energia por aí, e não dar de cara com uma senhora rabugenta que não retribua o meu sorriso. Não quero ser julgada pelas minhas escolhas, que tem seus motivos. Quero que minha mãe saiba que continuo amando muito ela, mas que eu escondo alguns segredos. Quero amar sem dificuldade. Tocar e cantar em um barzinho, onde no final, ninguém esteja me ouvindo. Fazer um quadro bem colorido pra por na sala. Conquistar cada vez mais. Ver o mundo de forma diferente a cada dia, e tentar melhorá-lo. Fazer em todos os meus dias o que amo. E por fim, só quero saber pra onde estou indo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Quando eram cinco horas

     Naquele dia nada parecia estar demais. Sentia que algo estava me angustiando, e não sabia mais o que fazer para que passasse. Eram cinco da tarde. E nesse dia, eu não tinha aprendido, não tinha lido, nem escutado. Nesse dia eu somente estava viva, mas ainda não tinha vivido. Notei que tinha sido só mais uma pessoa o dia todo, só mais um ser em cima da terra que não tinha mudado nada, nem melhorado.
     Já eram cinco e um, e eu ainda não tinha levantado. Tinha comido, dormido, acho que nem pensado ainda tinha. Cinco e dois e continuava a mesma, e não me permitiria isso. Cinco e três e ainda não tinha ouvido música. As horas passavam e eu ainda não tinha me movido, feito nada por mim e pelo meu destino.
     Cinco e quatro foi a hora em que finalmente eu levantei. Reclamei por não estar perto de um campo, por não ter uma árvore no quintal pra poder ler um livro escorada nela. Reclamei por não ter liberdade nessa cidade de pedra que não me entende, e que não pode fazer nada por mim. Notei que estava em uma gaiola, e em vez de cantar, estava escrevendo.Vi que a minha liberdade nunca ia ser tão liberta. Vi que por mais que eu tentasse continuaria por aqui... Eram cinco e sete e eu percebi que estava presa em mim mesma. Quando bateu cinco e dez eu me prometi que de algum jeito tinha que mudar. De algum jeito tinha que tentar. Eu tinha que melhorar, evoluir.
     Tanta coisa pra fazer pra uma vida tão curta... Tanta coisa a se aprender, tanto livro pra ler. Tanta música antiga pra escutar. Tanta coisa pra experimentar, tentar. Depois dessa tortura de alguns minutos, quando eram cinco e vinte eu estava caminhando sem saber onde ia. Com o cigarro no meio dos dedos, tentando achar uma saída desse lugar onde eu não consigo me achar e ser inteiramente feliz. Nesse lugar tão frio. Quando eram cinco e meia eu já não era mais a mesma, e ainda queria ir embora.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Tu és feliz?


A felicidade não é algo que precise ser provado a ninguém. Já comecei afirmando, sim. Quem é feliz de verdade até esquece dessa procura insaciável por ser feliz mesmo. Quem é feliz é só feliz e pronto. Sem vírgulas, pontos. Ser feliz é ser feliz.
Será que a felicidade é plena? Minha mãe sempre diz que ‘’temos momentos de felicidade’’, e leva a crer. A felicidade é tão diferente de pessoa pra pessoa. Por isso, não tem como saber fazer alguém feliz assim de primeira, paciência. Sabe aquele negócio de que ‘’quando tu parar de tentar vai conseguir’’? Pois é, dá pra se pensar nisso. Querer ser feliz basta? Acho que não.
E quando chegar a nossa vez? A nossa vez de ser feliz? Vamos saber ser? E se ela nunca chegar? E se chegar e eu não ver? Caraca, que complicado! Essa tal de felicidade sai de uns lugares tão inesperados, que quando eu vi já fui feliz, e nem sou de novo. E pra quem acha que a felicidade é dia de sol, sorvete no verão, e beijo na chuva se engana. A felicidade é temporal. Essa é a hora que nós reclamamos. Algo que nos tira da nossa zona de conforto nos deixa perdidos, sem saber o que fazer, porém feliz. E depois dela, nunca mais somos os mesmos. Essa é a moral da felicidade. A mudança. Ninguém é feliz fazendo as mesmas coisas todo dia.
A felicidade é vendaval. Vem, rápido, passa. Já passou já se foi. Sabe a parte legal? É que se agora tu estás triste, podes ter a certeza de que logo, logo ela passa de novo. Achas que ias conseguir ser feliz todo o dia? Me poupe! Se a felicidade fosse plena, não seria vida. Onde ficaria o aprendizado? E, por fim, não veja a tristeza assim tão triste... Estamos vivendo, certo? E para aprender, precisamos errar. No erro, aprendemos a aceitar, e nessa, quando a vida dá a segunda chance, a gente acerta e pá, ela vem. Peço que pare, pense, reflita, e me diga: Tu és feliz? Se pensou então não é.

domingo, 9 de março de 2014

Essa sou eu


E essa sou eu. Bem perfeccionista. Não começo a escrever antes da fonte ser a Times e o tamanho doze. Na verdade, esse bem perfeccionista não me serve. Se tem uma coisa que não busco é a perfeição. Pelo menos não aos olhos do mundo. Eu enxergo tudo diferente, entenda. Se me mostras branco, vejo uma nuvem.
Gosto de ser assim bem desigual. Tem gente que gosta, e gente que apatia meu ser. Sabem os loucos? Queria eu ser uma verdadeira louca, no sentido literal da palavra. Acho que, por ser assim tão eu, não consigo ancorar em nenhum lugar. Nada que me prende, me apetece. Nada. Liberdade é uma palavra tão mais bonita.
Queria saber pintar. A arte dos outros é tão boa de apreciar. Usar as cores, fazer a felicidade de alguém ao olhar. Pergunto-me se alguém conseguiria entender a minha arte. E afirmo que, nem eu mesma entenderia. Talvez seja esse o problema. Eu não me entendo. Não me entendendo, como vou entender o mundo? Entendes? Nem eu.
Essa sou eu. Bem desinquieta. Essa sim me define bem. Um poço de sentimentos que mudam a cada minuto, ou menos. Mas não se engane, o que não para é a minha mente. Se me encontro meio sedenta, arrede-se, minha cabeça está a mil.
Queria saber escrever música. Pegar um violão, cantarolar por ai quando estivesse afim. Encantar alguém com a minha música, quem sabe até fazer um showzinho em um bar de esquina. Lucrar uma cantada do rapaz embriagado lá do fundo.
Tem tantas coisas. Coisas que eu queria, que não quero mais. Coisas que sempre vou querer, e coisas que volto a querer. Quero que ainda leias um livro meu. E não estou subindo tão alto, não. Se eu não quiser, quem irá de querer por mim? Sabe, caro amigo. Se entender é bem difícil. Depois de todas essas palavras, eu ainda não sei quem sou, francamente, tenho medo de descobrir. Posso ser o que bem pensava, ou... pior.
Só peço que não me prenda. Não ofusque a minha luz desinquieta, branda, que ainda não sabe o que quer. Deixe-me ir à praia. Soprar bolhas quando estiver com vontade. Me deixe cantar bem alto com a minha voz desafinada, e principalmente, não me incomode quando estiver debaixo daquela árvore agarrada em um livro. Vou ficando, por enquanto, mas se eu tiver de ir, irei. E com certeza não vou ficar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Por favor um doce, moço

Tentar e não conseguir. Ver e não enxergar. Sentir e não ter. Querer e não poder. Seres incompletos que buscam a culminante essência da alma. Uma luta, um caminho, que pode ter o sentido da vida. Eu busco a felicidade, a serenidade, mas o que ela é? Será que é isso que eu quero? E a paz? É tão sossegada quanto eu penso? 
Movendo-me com perguntas e questionamentos, crenças que me levantam e me fazem melhor. Acredito em mim e em uma energia maior que faz ser tudo o que deve acontecer. As cores me rondam, mas logo a escuridão volta. Ainda não as domino, elas são ariscas e pequenas, voltem cores. A escuridão é mais fácil. Grande, viciante. 
Como tudo nessa vida, a tristeza também vicia. Reclamar vicia. Baixar a cabeça vicia, desistir, por fim é o que resta. É mesmo? Mas lhe pergunto: As cores não são muito mais bonitas? E você, o que você quer? 
Domine-se. Vença-se. Faça por si. Pense. Fale. Opine. Se contradiga. Reveja seus conceitos. Tente. Teste-se. Caia. Estude. Levante. Consiga. Confie, mas em si. Ninguém está sozinho. Somos dois. O eu que anda por ai, e o eu, eu mesmo, que é o interior. Difícil é ser um só. Inteiramente um só, puramente puro. Ainda falta muito. Pouco vivi, pouco sei. Mas me dá um doce, moço, psicodelia é o que eu quero.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Por que segunda, eu tenho que trabalhar

          Algumas escolhas que tomamos ao longo da vida, fazem ser o que somos mais tarde, isso não resta dúvida. Mas, até que ponto isso influencia? Se eu fumar um cigarro hoje, vou morrer de câncer amanhã? As coisas são tão relativas. Nada é sempre generalizado. Tudo tem uma exceção.
          E que saco de exceção. Tudo, tudo nessa vida tem 50% de chance de acontecer e 50% de chance de dar errado. E nem todo mundo tá mais disposto a querer jogar. Em algumas coisas, é claro. Por que a vida, o cotidiano é todo um jogo. Mas tem gente que apenas desiste. Desiste de tentar, desiste de amar, de falar a verdade, e que desiste logo de viver mesmo. Por causa dessas malditas exceções. E como vou saber se eu sou uma exceção? Essa vida inconstante me deixa bem confusa. As pessoas mudam de um dia pro outro, tanto pra pior quanto pra melhor. Pessoas vêm e vão, aparecem e desaparecem...
          Sabe, caro leitor. Às vezes meio que cansa essa inconstância. Nem todos os dias eu quero viver. Mas é um compromisso meu. Quando dá sete da manhã eu tenho que levantar, tenho que ir trabalhar, e tem mais um monte de compromissos. Sinto que estou me perdendo. E isso não é uma coisa ruim, mas, a minha inconstância de juventude de poder dormir até às onze horas, fazer meia dúzia de trabalhos do ensino médio, tirar notas boas fácil e ainda sair com os meus amigos simplesmente acabou. E eu nem vi. Agora é responsabilidade pra cá e pra lá, horário pra tudo, ultimamente, dependendo, tenho até que planejar o meu dia. E eu, não me sinto preparada ainda.

        Mas a vida vai me testando, e eu não posso desistir. Eu tenho que crescer e seguir. Deixar de viver de verdade não é fácil. Trabalhar é bom, ter o próprio dinheiro é bom. Mas a vida dos 15 aos 17 anos que eu tive não tem preço. Então, se alguém que está lendo minhas humildes palavras, ainda não tem todos os compromissos que a vida vai dar, eu dou um conselho: Aproveita. Não to dizendo pra sair por aí, virando lata e fazendo o que não deve. Tô dizendo pra rir, sair, namorar, dar furo, andar de roda gigante, dizer que tá apaixonado, dormir na casa do amigo(a), viver mesmo. Depois, se vive também. Mas não como antes. Por que segunda, eu tenho que trabalhar.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Metade Intelectual

     Olá! Essa crônica que vocês lerão em seguida, não é de autoria minha. É de um amigo, que ainda tem receio de mostrar o quanto escreve bem. Enfim, era só para esclarecer isso. Espero que gostem.

          A verdade é que não sabemos o que a nossa mente pode nos apresentar. Ela executa a função de distribuição de movimentos ao corpo. Mas o que interessa realmente são os pensamentos. O pensamento que atrai, que reprime, aquele que liberta, que inspira, que transpira, e transborda. O mundo dos sonhos é tão ambíguo ao pensamento.
         Deparo-me com situações exóticas e ao mesmo tempo situações obscuras. Mesmas situações me levam a lugares extraordinários que minha imaginação me trás. No entanto, por que reprimimos nosso sentimento ao sonho? Em seguida, viemos a sonhar o que nossa alma está transbordando, ela necessita desse espaço, o nosso subconsciente.
          Na minha margem de pensamento, vejo o mundo todo por um ponto de vista único. Um ser inflexível quando se trata da minha opinião. Penso na minha espécie, na minha existência, o que eu vim fazer na terra, e qual a minha missão. Conversar com Deus é divino, são essas questões que vem me perturbando diariamente. Um ser humano beirando o colapso, confuso e ao mesmo tempo certeiro. Como um tiro ao alvo que varia de acordo com o vento.
          Meu pensamento esférico, que não me permite enxergar o verdadeiro propósito de tudo. Pensamento que trai, que engana, que me faz melhor, tira da angustia e do medo. Minha alma necessita desse pensamento agressivo, que provoca um impacto espiritual tão amplo que me divide, me corrompe. E eu amo essa sensação.
M.C.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Tens algo à dizer?

          Diferentemente do que já foi dito, não sei se tenho muito a dizer. O silêncio, dependendo do caminho, é o mais sensato. E ele grita ainda mais do que muita voz. O silêncio machuca, confunde, amedronta. Mas nem sempre consente. Como saber o significado do silêncio de alguém. Uma incógnita terrivelmente confusa. O silêncio causa medo, recusa.
          E como saber quando falar? E se deve falar? Palavras serão sempre palavras. Caro leitor, preste atenção. Esse velho e manjado ditado faz por jus: ‘’Falar é fácil’’, e realmente é. Falar é muito fácil. Tão fácil que às vezes até machuca. Palavras usadas de forma errada podem destruir muita estrutura por ai.
          Tanto que, para um escritor, sempre há uma frustração, uma tristeza, por que as palavras gostam de sentimentos grandes. Gostam de aparecer só quando não nos sentimos muito bem. Muitas vezes, essas junções de letras, são a fotografia de nossa alma. Não necessariamente sentimentos ruins. Mas lhe pergunto: Já leste um pensamento de alguém que estivesse puramente feliz e que realmente fizesse sentido? A vida não é somada apenas de sentimentos bons.
          Usar as palavras do jeito certo, ah, que dilema. As poderosas palavras, que por si, formam uma frase, que formam um belo texto. Você consegue escrever uma poesia? Eu nunca consegui. Poesias são tão apaixonadas e muitas vezes rimadas, coisa que nem eu consigo ser. Nada de padrão. Nem quero essa função. Sabe, caro leitor, use as suas palavras, suas frases. Use-as para o bem. Critique, mas saiba reconhecer o que é bom. Escreva, demonstre sua opinião, mas saiba ouvir a alheia. Por que afinal, cada um tem suas palavras. Algumas mais tortas em si, mas que em algum momento, fazem sentido. Nem sempre as mais belas palavras são as melhores de serem lidas. Use as suas, mas do seu jeito. Assim como eu fiz.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Primeira crise dos dezoito

          Aquela crise existencial. Aquela que te deixa mais confusa do que o normal. Sabe quando você se sente pronta? Disposta a amar e ser amada? Pois bem, está na hora. Mas, nada me agrada, nem me apetece. Nada me encanta, nem me faz querer mais. Nada. Simplesmente tudo me amedronta.
          Frustrada, busco pensar em outras coisas. Mas o passado me perturba. O qual eu não gostaria de chamar de passado. Não sou um ser liberto. Ainda me sinto muito presa. Não fisicamente, mas a minha alma ainda é escrava, todavia, não sei de quê. 
          Talvez eu possa querer ser escrava, ou nem sou mais. Sabem como é. A cabeça é um labirinto que temo tentar entender. O enigma é essa insatisfação. O fato de não querer mais, não buscar o novo, acovardar-se nas coisas que deram certo, e se contentar com o pouco que já me foi presenteado.
          Já se passaram dezoito anos, e não tenho nenhuma grande história de amor para vos contar. Está tudo desvairado, ter e não ter o que é preciso ao mesmo tempo. O meu instinto só grita: Espera! E desta vez, vou acalmar minha inquietude, minha juventude, minha sede de viver. Vou caminhar pelos anseios da vida com ternura. Quem sabe eu encontre flores no caminho, ou um pássaro que me cante uma canção.