Tinha uma moça. De poucas primaveras, muita inquietação e moderados sentires. Sempre gostou de jardins e do cheiro das flores. Ainda não havia vivido e achava que sabia muito. Queria amar. Tinha um rapaz. De mais primaveras que ela, um pingado desinquieto. Vivia intensamente. Já conhecia parte da existência. Era hipócrita.
Os dissabores do destino sempre encontram-se em esquinas. Dessa vez, ela vagava pela calçada, aérea. Ele era bonito, andava deslizando. Vistoso, chamou o cuidado dos olhos dela. Cruzaram-se. Ela, por sua vez, assinou um contrato.
Os encantos aumentaram e já tinham o sentimento de que um não viveria sem o outro. Mais ela, por que ele vivia com qualquer coisa. Ela não perguntava, não fazia, e tanto amava que não se importava. Ele? Não fazia questão de falar, fazia, começara a gostar.Ela se acha a melhor, conseguiu o que queria. Ele por vez, também. Eram diferentes, ora, como ninguém nunca pode avisá-la? Não é de hoje que se ouve que os mais belos enfardamentos nem sempre contém refinos em seu interior. Ninguém a avisou. Tinha vivido pouco, não queria saber de assuntos sérios. Queria carinhos e calor. Não dava ouvidos aos sons altos que chiavam pela sua volta, insistentes e barulhentos, querendo chamar a sua atenção.
Ele também se achava o melhor. Os sons eram sobre ele, então tratava de distraí-la, e o fazia bem. Já tinha experiência, não teria sido a primeira. Tinha confiança, sabia que essa não seria a ultima. Ela, em vez, começou a ouvir os sons, e a questioná-lo. Ele não gostava de explicações, e nem de que lhe tomassem sua liberdade tão liberta. Falaram alto, disseram coisas feias que gente que se ama não fala. Nesse ponto é que se encontra o problema. Ela se convia, e ele? Já nem mais está nessas linhas. Partiu há tempos.
Ela esperneou, sofreu e morreu. Por dentro. Aprendeu sobre a vida. Transformou-se. Agora ouve os sons antes de sentir o calor. Desconfia até da sombra que lhe segue. Continua amando os jardins e os cheiros florais. Vive. Ela ainda se reconstrói por dentro a cada dia, e superação que a vida lhe impõe. Sozinha. Rodeada por tanta gente, no entanto bem deserta. Tem medo. Não quer matar-se novamente. E sabe que, esse medo de morrer, e de que tudo se repita... É mais outro contrato, que a vida vem lhe querendo a assinatura.
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