Sinto-me bem egoísta
quando vou à seção de notícias ‘’Mundo’’. Sinto-me egoísta por há horas atrás
estar decepcionada por não poder comprar aquela bolsa. E me sinto fútil por
ainda me preocupar com algo do tipo. Eu sou pequena, às vezes considero-me um
nada. Veja o meu tamanho e o desse imenso mundo que me rodeia. Tem tanta coisa
além dessa nossa vidinha pacata. Da minha, da sua, e de quem come e dorme tranqüilo
todas as noites. Tem coisa errada acontecendo a todo o momento, coisa muito
errada. Por vez, fico analisando, que muita gente não vê, além disso. Não vê
além da bolsa de marca, do emprego que ganha bem, ou da vidinha boa que tem.
Tem mundano que não enxerga. Que não se indigna.
Infelizmente, o que me
inspirou a escrever foi o jornalista James Foley que há pouco tempo foi decapitado
por extremistas no Iraque. Fico me colocando no lugar dele. No lugar da
família, dos amigos, de verem uma cena como aquela. Lamentavelmente somos seres
feitos de indignações e dúvidas, ou podem até chamarmos de rebeldes, que me
importa. Quem não pensa julga aquela pessoa que mora no sul do sul e que toma
dor por um colega de profissão ter sido morto dessa forma. Seja lá de onde ele
for. Ou se mata ou se morre, finalmente. Sempre fui contra os extremismos. Em
qualquer coisa. Fanatismos também não me agradam. Tudo que é demais passa dos
limites, já tinha razão minha avó.
No fim de tudo isso, eu
sinto nojo e repugno ser da mesma espécie dessas pessoas que matam, aterrorizam
e fazem guerra. E hoje de manhã, quando chorei depois de ver tal vídeo não me
achei idiota ou coisa do tipo. Eu me senti humana, me senti pessoa, coisa que
muito homo sapiens que anda vagando por cima dessa terra não sente... Sabe
aquela bolsa? Eu nem quero mais. O que me fez sentir bem esse dia foi só ser
gente.
‘’Porque sou do tamanho
daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam.’’ Carlos Drummond de Andrade
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