Sempre fui música mal cantada. Arte complicada e texto sem nexo. Eu sempre fui eu por todos os lados. Bem inconstante. Questiono a existência de Deus mas acredito no destino. Amo a minha mãe. Mudo tão rápido que nem o tempo conseguiria me acompanhar. Eu sempre gostei do que todo mundo mais achasse diferente. Eu gosto de desafios e pessoas loucas. E sim, sou uma dessas pessoas. Que são mais fáceis de serem entendidas do que se imagina. Aprendi a me expressar. A sorrir e a levantar quando cair, mas não a amar. Não sei se perdoo ou carrego a mágoa. Querem que eu fique e eu sempre quero ir. Mas ir pra onde? Na verdade eu só quero chegar. Não quero esperar.
Continuo amando minha mãe. Aprendi a falar o que não precisa ser dito, e a ouvir o que não é falado. Sempre quis aprender a pintar, a tocar violão e a cantar. Mas só sei escrever. Nem sempre faço o bem, mas sei quando é minha hora de fazer. Não sinto mais vergonha de cantarolar na rua, e choro por pouca coisa. Tudo que conquisto nunca é o bastante. Aprendi a ver a beleza nas pequenas coisas. E, principalmente, a beleza nas coisas que não são belas. Ainda me restam algumas dúvidas sobre mim. Dou-me conta de que, no final, eu não sou algo para ser compreendido. Só sentido, observado.
Eu só quero dançar. Falar, fazer. Só quero espalhar minha energia por aí, e não dar de cara com uma senhora rabugenta que não retribua o meu sorriso. Não quero ser julgada pelas minhas escolhas, que tem seus motivos. Quero que minha mãe saiba que continuo amando muito ela, mas que eu escondo alguns segredos. Quero amar sem dificuldade. Tocar e cantar em um barzinho, onde no final, ninguém esteja me ouvindo. Fazer um quadro bem colorido pra por na sala. Conquistar cada vez mais. Ver o mundo de forma diferente a cada dia, e tentar melhorá-lo. Fazer em todos os meus dias o que amo. E por fim, só quero saber pra onde estou indo.
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