domingo, 9 de março de 2014

Essa sou eu


E essa sou eu. Bem perfeccionista. Não começo a escrever antes da fonte ser a Times e o tamanho doze. Na verdade, esse bem perfeccionista não me serve. Se tem uma coisa que não busco é a perfeição. Pelo menos não aos olhos do mundo. Eu enxergo tudo diferente, entenda. Se me mostras branco, vejo uma nuvem.
Gosto de ser assim bem desigual. Tem gente que gosta, e gente que apatia meu ser. Sabem os loucos? Queria eu ser uma verdadeira louca, no sentido literal da palavra. Acho que, por ser assim tão eu, não consigo ancorar em nenhum lugar. Nada que me prende, me apetece. Nada. Liberdade é uma palavra tão mais bonita.
Queria saber pintar. A arte dos outros é tão boa de apreciar. Usar as cores, fazer a felicidade de alguém ao olhar. Pergunto-me se alguém conseguiria entender a minha arte. E afirmo que, nem eu mesma entenderia. Talvez seja esse o problema. Eu não me entendo. Não me entendendo, como vou entender o mundo? Entendes? Nem eu.
Essa sou eu. Bem desinquieta. Essa sim me define bem. Um poço de sentimentos que mudam a cada minuto, ou menos. Mas não se engane, o que não para é a minha mente. Se me encontro meio sedenta, arrede-se, minha cabeça está a mil.
Queria saber escrever música. Pegar um violão, cantarolar por ai quando estivesse afim. Encantar alguém com a minha música, quem sabe até fazer um showzinho em um bar de esquina. Lucrar uma cantada do rapaz embriagado lá do fundo.
Tem tantas coisas. Coisas que eu queria, que não quero mais. Coisas que sempre vou querer, e coisas que volto a querer. Quero que ainda leias um livro meu. E não estou subindo tão alto, não. Se eu não quiser, quem irá de querer por mim? Sabe, caro amigo. Se entender é bem difícil. Depois de todas essas palavras, eu ainda não sei quem sou, francamente, tenho medo de descobrir. Posso ser o que bem pensava, ou... pior.
Só peço que não me prenda. Não ofusque a minha luz desinquieta, branda, que ainda não sabe o que quer. Deixe-me ir à praia. Soprar bolhas quando estiver com vontade. Me deixe cantar bem alto com a minha voz desafinada, e principalmente, não me incomode quando estiver debaixo daquela árvore agarrada em um livro. Vou ficando, por enquanto, mas se eu tiver de ir, irei. E com certeza não vou ficar.

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