sábado, 28 de setembro de 2013

Por mais bom dia



            As pessoas de ‘’antigamente’’ estão se acabando. Já paramos para pensar nisso? Notamos que somos uma geração que chega cinco minutos antes, que paga em prestações, que vê o preço e não a qualidade, que usa a roupa nova em casa, e que não dá bom dia quando chega em algum lugar? Uma geração tão mais ou menos, tão superficial, e tão profunda ao mesmo tempo. Modista e limitada.
Acordar às seis horas da manhã, tomar um café cheiroso, limpar a casa, tomar um mate, fazer aquele almoço gostoso que cheira lá na rua. Desde quando faríamos isso? Acordar meia hora antes de ir trabalhar. Tomar um café solúvel, com mais gosto de nada, passar o dia fora de casa, uma casa vazia, pois nos tornamos individuais também. Ter um cachorro só se não latir, não fazer coco no tapete, e se ele não precisar comer também, se não dá muito trabalho. Geração facilidade. Pai, preciso de um celular, disse a criança de nove anos.
          Não há mais aquele traje de domingo, aquela reunião onde vinham parentes até da puta que pariu. Lá faziam um churrasco, proseavam até o entardecer, a passar o dia comendo. E agora? Ver a família uma vez por ano já é uma vitória. Geração desvalorização. Considero as pessoas de antes mais inteligentes. Mais consideração, mais bom dia, mais ‘’vou ajudar meu pai’’. Até mais amor.
Ler um livro, apreciar um livro, é coisa de poucos. Viver é coisa de poucos. Ter uma amizade de anos. Crescer e ficar velhinho do lado de alguém. Conhecer e se dar bem com todos os vizinhos. Sorriso sincero.
        Cada um para um lado, só se importando com o próprio nariz. Compromisso é dádiva de poucos. Geração vício. Que não usa drogas para se descobrir, mas sim como fuga de problemas que muitas vezes projeta ter. Com um mundo tão mais desorganizado, tão mais moderno, tão mais frio.
 Pode ser um recomeço. Sou dessa geração. Por pessoas mais antigamente. Mais bom dia, mais gente sendo gente.

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