As pessoas de ‘’antigamente’’ estão se acabando. Já paramos
para pensar nisso? Notamos que somos uma geração que chega cinco minutos antes,
que paga em prestações, que vê o preço e não a qualidade, que usa a roupa nova em
casa, e que não dá bom dia quando chega em algum lugar? Uma geração tão mais ou menos,
tão superficial, e tão profunda ao mesmo tempo. Modista e limitada.
Acordar às seis horas da manhã, tomar um café cheiroso,
limpar a casa, tomar um mate, fazer aquele almoço gostoso que cheira lá na rua.
Desde quando faríamos isso? Acordar meia hora antes de ir trabalhar. Tomar um
café solúvel, com mais gosto de nada, passar o dia fora de casa, uma casa
vazia, pois nos tornamos individuais também. Ter um cachorro só se não latir,
não fazer coco no tapete, e se ele não precisar comer também, se não dá muito
trabalho. Geração facilidade. Pai, preciso de um celular, disse a criança de
nove anos.
Não há mais aquele traje de domingo, aquela reunião onde
vinham parentes até da puta que pariu. Lá faziam um churrasco, proseavam até o
entardecer, a passar o dia comendo. E agora? Ver a família uma vez por ano já é
uma vitória. Geração desvalorização. Considero as pessoas de antes mais
inteligentes. Mais consideração, mais bom dia, mais ‘’vou ajudar meu pai’’. Até
mais amor.
Ler um livro, apreciar um livro, é coisa de poucos. Viver é
coisa de poucos. Ter uma amizade de anos. Crescer e ficar velhinho do lado de
alguém. Conhecer e se dar bem com todos os vizinhos. Sorriso sincero.
Cada um para um lado, só se importando com o próprio nariz.
Compromisso é dádiva de poucos. Geração vício. Que não usa drogas para se
descobrir, mas sim como fuga de problemas que muitas vezes projeta ter. Com um mundo tão mais desorganizado, tão mais
moderno, tão mais frio.
Pode ser um recomeço. Sou dessa geração. Por pessoas mais
antigamente. Mais bom dia, mais gente sendo gente.
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