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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

E se eu quisesse usar um bigode?

          Coisas bonitas como curtir o barulho da chuva só por curtir. Olhar as estrelas sem estar apaixonado. Molhar os pés em um açude e aproveitar aquela sensação tão 6 anos, só porque eu quero, só porque eu tô afim. Deitar na grama, respirar fundo apenas por querer. Fazer mais coisas por nós mesmos. Vestir aquela blusa que eu me sinto bem porque eu me sinto bem, e não porque todo mundo usa. Pentear o cabelo do modo que eu gostar. Se quiser, pintar minhas unhas todas coloridas. E daí? Quem é que disse que eu deveria usar meias da mesma cor? Hein? Quem disse que menino de cabelo grande é feio?
         Eu queria saber quem afinal fez essas normas tão desnecessárias. Vivemos em regras. Salto na festa. Mas por quê? Se quando chegar no meio eu já vou estar super cansada e com os pés doendo? E se eu quisesse falar de amor sem estar apaixonada? Futebol é mesmo coisa só de homem? Quem impôs que eu não podeira usar bigode e ficar MA-RA-VI-LHO-SA? Tudo bem se eu não gostar de usar saia? Homem usar maquiagem querendo ficar bonito para a mulher pode? Não? E por qual motivo afinal o homem tem que pedir em casamento? Ora, ora, por que não a mulher?  Por que nos apegamos a coisas tão pequenas e as fazemos tão grandes? Por que?
        Algumas coisas poderiam se tornar tão mais simples. Apenas assim, quero, gosto, faço. Tenho que fazer, faço. Não quero? Não faço. Ficar do lado de alguém por vontade, e não por compromisso. Se tudo fosse mais leve. Afinal, os que não se apegam tanto nessas pequenas ''regrinhas'', tornam-se rebeldes sem causa. Só porque pensam, e se questionam principalmente. As perguntas sempre moveram o mundo. O inteligente é o que questiona, e não o que concorda. Pois né, seria um saco se todo mundo pensasse igual.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Casa Abandonada

          Sabe, abrir a porta para alguém entrar é meio difícil. É como saber que vai chorar de novo. Sentir de novo. Medo. Mas pensando bem, poderia ser melhor. Ou pior. É só querer. Todos temos essa casa. Algumas são bem habitadas. Outras só tem gente no pátio. Tem casa que prende gente. Tem gente que não sai da casa por orgulho. Tem casa vazia. Casa caindo aos pedaços. Casa cheia. Casa feia. Casa triste. Casa de ressaca. Casa que só quer que alguém more dentro, não importa quem seja. Tem casa que não deixa ninguém entrar. Tem casa que ainda tem barata. E tem casa nova.
E o pior é que temos só uma. Se acontecer alguma coisa com ela fica cheia de remendos para o resto da vida.
          Deixar a porta livre é uma decisão a ser pensada. Parei de pensar e vou abrir. Entre, bem-vindo. Tome o seu lugar e conquiste mais espaço. Deixe tudo mais bonito. Concerte o que está quebrado. Pinte as paredes com tinta nova e colorida. Abra as janelas. Areje. Acenda um incenso. Arrume a cama. Ponha música alta, me faça dançar. Não vou cobrar aluguel, não. Apenas entre e tome posse. Mas arrume. Ou desarrume de vez. Pode ficar até melhor. Plante flores cheirosas, brancas, roxas, amarelas, e rosas. Regue-as. Depois varra a varanda com uma vassoura macia. Acenda outro incenso.
          Abra todas as janelas que tiverem, deixa a luz entrar como eu te deixei. Organize tudo.
Pinte por fora também. Mantenha tudo certinho. E se penteia. Acende mais um incenso que talvez eu apareça. Re-apareça nesse lugar que abandonei faz tempo. Só volto depois que tu entrar. Até ajudo a arrumar. Mas entra, e não demora.
Seja bem-vindo, pode entrar.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

E você, ainda acredita no amor?

          Será que aquele sentimento bom que vem de dentro quando escutamos a música predileta é amor? Amor é bom? Amar é bom? Amor, amor, amor. Acho que já nascemos o buscando. E será que conseguimos? E quando morremos? Para onde o amor vai? Ele fica no ar esperando para contaminar quem passar? Será que o amor acumula? Será um tipo um vírus? Ou uma droga? Ou os dois juntos?
          Que confuso. E que medo. Algo tão inalcançável e místico... Incerto. E as pessoas? Sabem quando atingem a meta? Acho que é para isso que existe a velhice. E quando finalmente nos damos conta que conseguimos, nos vamos. E lá fica aquele amor, no ar. Esperando para contaminar alguém. Pobre infeliz. Eu sinceramente preferia virar um zumbi. Seria mais digno da minha existência.
           É uma pena ninguém ser autossuficiente. Não ser imune. Somos fracos e fortes. Conseguimos suportar, hospedar o amor. Mas não o repelir. Cuidado! Com ele vem tantas coisas. Quase um bônus. Primeiramente a paixão e o ódio. Sentimentos exaltados que poderiam ser vermelhos. E ela. A saudade. Essa sim, essa é foda. FODA. É como sentir fome com o coração. Imagine que tolice comer alguém com o coração? Mas o define bem. O bom dela é quando temos a oportunidade de saciar. Porém, quando a saudade não pode ser ''morta'', ela lateja e de vez em quando nos faz mancar.
          Também poderia ser aquele ''faz sentido'' quando eu escuto o barulho da chuva. As incertezas do amor são tantas. A única que se possui é o amor de mãe. Os outros amores se acabam. Somem. Apenas dormem por um tempo. Ou nós simplismente o guardamos. O amor sempre vai ser um assunto tão polêmico quanto o aborto. Ou até mais. Essa história de amar acabou virando clichê. Hoje em dia, falar sobre o assunto, pode ser motivo de deboche. E você, acredita no amor? Amor, seja mais verão.

sábado, 28 de setembro de 2013

Por mais bom dia



            As pessoas de ‘’antigamente’’ estão se acabando. Já paramos para pensar nisso? Notamos que somos uma geração que chega cinco minutos antes, que paga em prestações, que vê o preço e não a qualidade, que usa a roupa nova em casa, e que não dá bom dia quando chega em algum lugar? Uma geração tão mais ou menos, tão superficial, e tão profunda ao mesmo tempo. Modista e limitada.
Acordar às seis horas da manhã, tomar um café cheiroso, limpar a casa, tomar um mate, fazer aquele almoço gostoso que cheira lá na rua. Desde quando faríamos isso? Acordar meia hora antes de ir trabalhar. Tomar um café solúvel, com mais gosto de nada, passar o dia fora de casa, uma casa vazia, pois nos tornamos individuais também. Ter um cachorro só se não latir, não fazer coco no tapete, e se ele não precisar comer também, se não dá muito trabalho. Geração facilidade. Pai, preciso de um celular, disse a criança de nove anos.
          Não há mais aquele traje de domingo, aquela reunião onde vinham parentes até da puta que pariu. Lá faziam um churrasco, proseavam até o entardecer, a passar o dia comendo. E agora? Ver a família uma vez por ano já é uma vitória. Geração desvalorização. Considero as pessoas de antes mais inteligentes. Mais consideração, mais bom dia, mais ‘’vou ajudar meu pai’’. Até mais amor.
Ler um livro, apreciar um livro, é coisa de poucos. Viver é coisa de poucos. Ter uma amizade de anos. Crescer e ficar velhinho do lado de alguém. Conhecer e se dar bem com todos os vizinhos. Sorriso sincero.
        Cada um para um lado, só se importando com o próprio nariz. Compromisso é dádiva de poucos. Geração vício. Que não usa drogas para se descobrir, mas sim como fuga de problemas que muitas vezes projeta ter. Com um mundo tão mais desorganizado, tão mais moderno, tão mais frio.
 Pode ser um recomeço. Sou dessa geração. Por pessoas mais antigamente. Mais bom dia, mais gente sendo gente.