quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

365 dias 31


          Chega mais um final de ano. 365 dias lutados, vencidos. Dias dos quais nós até poderíamos querer desistir, mas não desistimos. Horas infinitas que não passavam naquela sexta-feira linda pra ir à praia. E aqueles minutos, que pareceram segundos nos braços de quem amamos. Perdemos pessoas, ganhamos novos amigos. Renovamos pensamentos e comprovamos algumas teorias. Aprendemos. Esquecemos de fazer tantas coisas e agora queremos correr atrás.
          Quem dera que todo o dia fosse dia 31. Todos sorrissem e fizessem votos de apenas coisas boas como acontece no dia. Que as energias fossem renovadas, que todos tivessem essa esperança, esse brilho no olhar, e que ajudassem ao próximo como fazem no dia 31. Que a família se reunisse... Ah que ficassem todos juntos.
          Quem dera que fosse dia 31 todo dia por causa do amor. Dos abraços. Da alegria. Fosse 31 pela empolgação, pela energia. Fosse 31 pelo carinho, pelos beijos.
Porém não precisa ser 31. Nem para mudar, nem para abraçar, acreditar no amanhã, e nem para fazer dieta. Para renovar a esperança é preciso só um milésimo de segundo. Somos fênix. Não precisa ser 31 para a família se reunir, muito menos para acreditar no próximo. Não precisa acabar o ano para vermos o quanto conquistamos e sermos gratos. Podemos agradecer todo o dia, desde janeiro até dezembro. Mas precisa... não somos capazes de ser enérgicos todo o dia. Até somos, mas não queremos. Essa história de ‘’amanhã eu faço’’, ‘’amanhã eu digo’’, ‘’amanhã eu vejo’’, não adianta mais. O tempo passa mais do que rápido, ontem mesmo era janeiro. 
          Para 2015 eu te desejo 365 dias 31. Cheios de energia, amor, abraços, beijos, e esperança. Feliz ano, e lembre-se: somos fênix.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ricos pobres

             Somos pobres. Sempre fomos e espero que continuemos. Perante a sociedade estamos bem, vivemos bem. Cada um tem o seu emprego, seu compromisso. Todos têm horários corridos, desavenças, cada um tem o seu lugar. Somos ricos. Sempre fomos e espero que continuemos. Perante a vida estamos ainda melhor. Sabemos tudo um sobre o outro, comemos todos os dias juntos. Ajudamos-nos, somos os alicerces um dos outros. Amamos-nos. Somos família, somos amor.

           Se hoje pudesse escolher entre estar vivendo em uma casa bem grande, com empregada, em já ter ganhado o meu carro, ser da mais alta socialite e entre ser o que eu sou, estaria no mesmo lugar.
Eu tenho o maior orgulho. De saber de onde vem, lutar se for preciso. Da mãe que pra mim é quase uma santa. Da garra do meu pai. Eu tenho orgulho de tudo o que eles me ensinaram e de ver que eu sou bem completa. Me ensinaram tudo o que sabiam de melhor! Sou de confeiteira a pintora. Repito que me ensinaram o que sabem de melhor. O que eles não sabem, querem que eu aprenda.
           Sabes quando tua mãe é uma chata contigo? Ela quer sempre o teu melhor. Tua mãe acredita mais em ti do que tu mesmo. Ela quer que o filho dela seja o melhor. Não só mãe. Mas o pai, a avó, a tia. Quem quer que seja. Quem te ajuda na caminhada. 
          Tem vez que me paro e vejo tão ingrata. Podendo fazer mais por mim e por todos que estão ao meu redor e que realmente merecem cada vez mais de mim. Mais e mais, nunca é o bastante. Nunca será o bastante para pagar as pessoas que te fizeram ser o que és. O melhor de ti foram os teus pais que fizeram. 
          Então levanta daí! Já desse um abraço na tua mãe hoje? E, principalmente já agradecesse por teres tudo o que tens e pela tua família? Eu não sou religiosa. Mas desde que comecei a enxergar as coisas a minha volta como literalmente são, só agradeço.
          Mãe, te agradeço por ser o meu maior alicerce. Pai, invejo a tua paciência e quero ter metade da cautela e inteligência que tens. Irmã e irmão, obrigada por muitas vezes me lembrarem de que abraçar e dizer eu te amo não é uma coisa feia.
          E para vocês, pais, que hoje estão se matando de trabalhar para dar ‘’um futuro melhor aos seus filhos’’ lembrem-se que o futuro já é amanhã. E que tudo se vai. A vida, o tempo, o afeto. Quem muito se faz ausente, uma hora sequer faz falta. Cuidem de suas famílias. É o bem mais precioso que a vida dá.
          Agradeçam. Agradeçam mais, e quando pensarem que já são gratos, agradeçam novamente. Obrigada, muito obrigada!


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

EU ODEIO!

        Com o tempo a gente vê que não precisa de muita coisa. Não precisa de algumas pessoas, de algumas regalias, tem coisa que a gente se desfaz, tem coisa que a gente não consegue se desfazer, mas sabe que não precisa. A gente tenta crescer, mas tem tanto sentimento ruim que vem nos impedindo de ter essa evolução da mente e do corpo.
          Comece olhando pra sua própria cola. Mas olhe que termo chulo e feio. Mas olhe, olhe agora. Cada um tem a sua. Umas colas mais compridas que as outras, umas mais sucintas. Tem gente que tenta esconder essa grande cola que tem, mas também aqueles que nem fazem questão.
        Olhou? Agora me diga. Fazia quanto tempo que você não olhava pra própria cola e só prestava atenção na dos outros? Me diga, como ela está? Você não cuida dela, certo? Ela deve estar bem acabada.
         E tem gente assim. Gente que não consegue enxergar além da própria visãozinha medíocre que acha que tem e que sabe, e anda por ai espalhando palavras feias de quem nem conhece, por puro prazer. Prazer no que? Sabe o que é? Isso é falta de amor próprio. ‘’Ai nossa Érika, nada a ver uma coisa com a outra’’. Quer ver?
        Você se ama, não se ama? Você tem uma cor preferida, uma comida preferida e aquela pessoa que odeia, nós todos temos. Essa pessoa, ela te intimida, não intimida? Você já pensou nela, mas não quer admitir. O que ela tem de melhor de você pra ta guardando tanto ódio, hein? Pensou em outra coisa agora, não foi? Pois é. Bam! Te venci. Viu como você odeia essa pessoa porque de algum modo a admira?
        Agora se, você a odeia tanto, e a acha desprezível, acha que ela merece admiração? Ta ai outra razão pra não odiar ninguém. Eu odeio! Claro que odeio, e odeio bastante. Entretanto botando na ponta do lápis, nem vale a pena odiar! Cada um com os seus ódios. Mas agora você já sabe.

domingo, 24 de agosto de 2014

Contratos


          Tinha uma moça. De poucas primaveras, muita inquietação e moderados sentires. Sempre gostou de jardins e do cheiro das flores. Ainda não havia vivido e achava que sabia muito. Queria amar. Tinha um rapaz. De mais primaveras que ela, um pingado desinquieto. Vivia intensamente. Já conhecia parte da existência. Era hipócrita.
         Os dissabores do destino sempre encontram-se em esquinas. Dessa vez, ela vagava pela calçada, aérea. Ele era bonito, andava deslizando. Vistoso, chamou o cuidado dos olhos dela. Cruzaram-se. Ela, por sua vez, assinou um contrato. 
          Os encantos aumentaram e já tinham o sentimento de que um não viveria sem o outro. Mais ela, por que ele vivia com qualquer coisa. Ela não perguntava, não fazia, e tanto amava que não se importava. Ele? Não fazia questão de falar, fazia, começara a gostar.Ela se acha a melhor, conseguiu o que queria. Ele por vez, também. Eram diferentes, ora, como ninguém nunca pode avisá-la? Não é de hoje que se ouve que os mais belos enfardamentos nem sempre contém refinos em seu interior. Ninguém a avisou. Tinha vivido pouco, não queria saber de assuntos sérios. Queria carinhos e calor. Não dava ouvidos aos sons altos que chiavam pela sua volta, insistentes e barulhentos, querendo chamar a sua atenção. 
          Ele também se achava o melhor. Os sons eram sobre ele, então tratava de distraí-la, e o fazia bem. Já tinha experiência, não teria sido a primeira. Tinha confiança, sabia que essa não seria a ultima. Ela, em vez, começou a ouvir os sons, e a questioná-lo. Ele não gostava de explicações, e nem de que lhe tomassem sua liberdade tão liberta. Falaram alto, disseram coisas feias que gente que se ama não fala. Nesse ponto é que se encontra o problema. Ela se convia, e ele? Já nem mais está nessas linhas. Partiu há tempos.
          Ela esperneou, sofreu e morreu. Por dentro. Aprendeu sobre a vida. Transformou-se. Agora ouve os sons antes de sentir o calor. Desconfia até da sombra que lhe segue. Continua amando os jardins e os cheiros florais. Vive. Ela ainda se reconstrói por dentro a cada dia, e superação que a vida lhe impõe. Sozinha. Rodeada por tanta gente, no entanto bem deserta. Tem medo. Não quer matar-se novamente. E sabe que, esse medo de morrer, e de que tudo se repita... É mais outro contrato, que a vida vem lhe querendo a assinatura.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Mais além


           Sinto-me bem egoísta quando vou à seção de notícias ‘’Mundo’’. Sinto-me egoísta por há horas atrás estar decepcionada por não poder comprar aquela bolsa. E me sinto fútil por ainda me preocupar com algo do tipo. Eu sou pequena, às vezes considero-me um nada. Veja o meu tamanho e o desse imenso mundo que me rodeia. Tem tanta coisa além dessa nossa vidinha pacata. Da minha, da sua, e de quem come e dorme tranqüilo todas as noites. Tem coisa errada acontecendo a todo o momento, coisa muito errada. Por vez, fico analisando, que muita gente não vê, além disso. Não vê além da bolsa de marca, do emprego que ganha bem, ou da vidinha boa que tem. Tem mundano que não enxerga. Que não se indigna.
          Infelizmente, o que me inspirou a escrever foi o jornalista James Foley que há pouco tempo foi decapitado por extremistas no Iraque. Fico me colocando no lugar dele. No lugar da família, dos amigos, de verem uma cena como aquela. Lamentavelmente somos seres feitos de indignações e dúvidas, ou podem até chamarmos de rebeldes, que me importa. Quem não pensa julga aquela pessoa que mora no sul do sul e que toma dor por um colega de profissão ter sido morto dessa forma. Seja lá de onde ele for. Ou se mata ou se morre, finalmente. Sempre fui contra os extremismos. Em qualquer coisa. Fanatismos também não me agradam. Tudo que é demais passa dos limites, já tinha razão minha avó.
         No fim de tudo isso, eu sinto nojo e repugno ser da mesma espécie dessas pessoas que matam, aterrorizam e fazem guerra. E hoje de manhã, quando chorei depois de ver tal vídeo não me achei idiota ou coisa do tipo. Eu me senti humana, me senti pessoa, coisa que muito homo sapiens que anda vagando por cima dessa terra não sente... Sabe aquela bolsa? Eu nem quero mais. O que me fez sentir bem esse dia foi só ser gente.


‘’Porque sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam.’’  Carlos Drummond de Andrade

domingo, 25 de maio de 2014

Só sei escrever

     Sempre fui música mal cantada. Arte complicada e texto sem nexo. Eu sempre fui eu por todos os lados. Bem inconstante. Questiono a existência de Deus mas acredito no destino. Amo a minha mãe. Mudo tão rápido que nem o tempo conseguiria me acompanhar. Eu sempre gostei do que todo mundo mais achasse diferente. Eu gosto de desafios e pessoas loucas. E sim, sou uma dessas pessoas. Que são mais fáceis de serem entendidas do que se imagina. Aprendi a me expressar. A sorrir e a levantar quando cair, mas não a amar. Não sei se perdoo ou carrego a mágoa. Querem que eu fique e eu sempre quero ir. Mas ir pra onde? Na verdade eu só quero chegar. Não quero esperar.
     Continuo amando minha mãe. Aprendi a falar o que não precisa ser dito, e a ouvir o que não é falado. Sempre quis aprender a pintar, a tocar violão e a cantar. Mas só sei escrever. Nem sempre faço o bem, mas sei quando é minha hora de fazer. Não sinto mais vergonha de cantarolar na rua, e choro por pouca coisa. Tudo que conquisto nunca é o bastante. Aprendi a ver a beleza nas pequenas coisas. E, principalmente, a beleza nas coisas que não são belas. Ainda me restam algumas dúvidas sobre mim. Dou-me conta de que, no final, eu não sou algo para ser compreendido. Só sentido, observado.
     Eu só quero dançar. Falar, fazer. Só quero espalhar minha energia por aí, e não dar de cara com uma senhora rabugenta que não retribua o meu sorriso. Não quero ser julgada pelas minhas escolhas, que tem seus motivos. Quero que minha mãe saiba que continuo amando muito ela, mas que eu escondo alguns segredos. Quero amar sem dificuldade. Tocar e cantar em um barzinho, onde no final, ninguém esteja me ouvindo. Fazer um quadro bem colorido pra por na sala. Conquistar cada vez mais. Ver o mundo de forma diferente a cada dia, e tentar melhorá-lo. Fazer em todos os meus dias o que amo. E por fim, só quero saber pra onde estou indo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Quando eram cinco horas

     Naquele dia nada parecia estar demais. Sentia que algo estava me angustiando, e não sabia mais o que fazer para que passasse. Eram cinco da tarde. E nesse dia, eu não tinha aprendido, não tinha lido, nem escutado. Nesse dia eu somente estava viva, mas ainda não tinha vivido. Notei que tinha sido só mais uma pessoa o dia todo, só mais um ser em cima da terra que não tinha mudado nada, nem melhorado.
     Já eram cinco e um, e eu ainda não tinha levantado. Tinha comido, dormido, acho que nem pensado ainda tinha. Cinco e dois e continuava a mesma, e não me permitiria isso. Cinco e três e ainda não tinha ouvido música. As horas passavam e eu ainda não tinha me movido, feito nada por mim e pelo meu destino.
     Cinco e quatro foi a hora em que finalmente eu levantei. Reclamei por não estar perto de um campo, por não ter uma árvore no quintal pra poder ler um livro escorada nela. Reclamei por não ter liberdade nessa cidade de pedra que não me entende, e que não pode fazer nada por mim. Notei que estava em uma gaiola, e em vez de cantar, estava escrevendo.Vi que a minha liberdade nunca ia ser tão liberta. Vi que por mais que eu tentasse continuaria por aqui... Eram cinco e sete e eu percebi que estava presa em mim mesma. Quando bateu cinco e dez eu me prometi que de algum jeito tinha que mudar. De algum jeito tinha que tentar. Eu tinha que melhorar, evoluir.
     Tanta coisa pra fazer pra uma vida tão curta... Tanta coisa a se aprender, tanto livro pra ler. Tanta música antiga pra escutar. Tanta coisa pra experimentar, tentar. Depois dessa tortura de alguns minutos, quando eram cinco e vinte eu estava caminhando sem saber onde ia. Com o cigarro no meio dos dedos, tentando achar uma saída desse lugar onde eu não consigo me achar e ser inteiramente feliz. Nesse lugar tão frio. Quando eram cinco e meia eu já não era mais a mesma, e ainda queria ir embora.