quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Mais além


           Sinto-me bem egoísta quando vou à seção de notícias ‘’Mundo’’. Sinto-me egoísta por há horas atrás estar decepcionada por não poder comprar aquela bolsa. E me sinto fútil por ainda me preocupar com algo do tipo. Eu sou pequena, às vezes considero-me um nada. Veja o meu tamanho e o desse imenso mundo que me rodeia. Tem tanta coisa além dessa nossa vidinha pacata. Da minha, da sua, e de quem come e dorme tranqüilo todas as noites. Tem coisa errada acontecendo a todo o momento, coisa muito errada. Por vez, fico analisando, que muita gente não vê, além disso. Não vê além da bolsa de marca, do emprego que ganha bem, ou da vidinha boa que tem. Tem mundano que não enxerga. Que não se indigna.
          Infelizmente, o que me inspirou a escrever foi o jornalista James Foley que há pouco tempo foi decapitado por extremistas no Iraque. Fico me colocando no lugar dele. No lugar da família, dos amigos, de verem uma cena como aquela. Lamentavelmente somos seres feitos de indignações e dúvidas, ou podem até chamarmos de rebeldes, que me importa. Quem não pensa julga aquela pessoa que mora no sul do sul e que toma dor por um colega de profissão ter sido morto dessa forma. Seja lá de onde ele for. Ou se mata ou se morre, finalmente. Sempre fui contra os extremismos. Em qualquer coisa. Fanatismos também não me agradam. Tudo que é demais passa dos limites, já tinha razão minha avó.
         No fim de tudo isso, eu sinto nojo e repugno ser da mesma espécie dessas pessoas que matam, aterrorizam e fazem guerra. E hoje de manhã, quando chorei depois de ver tal vídeo não me achei idiota ou coisa do tipo. Eu me senti humana, me senti pessoa, coisa que muito homo sapiens que anda vagando por cima dessa terra não sente... Sabe aquela bolsa? Eu nem quero mais. O que me fez sentir bem esse dia foi só ser gente.


‘’Porque sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam.’’  Carlos Drummond de Andrade

domingo, 25 de maio de 2014

Só sei escrever

     Sempre fui música mal cantada. Arte complicada e texto sem nexo. Eu sempre fui eu por todos os lados. Bem inconstante. Questiono a existência de Deus mas acredito no destino. Amo a minha mãe. Mudo tão rápido que nem o tempo conseguiria me acompanhar. Eu sempre gostei do que todo mundo mais achasse diferente. Eu gosto de desafios e pessoas loucas. E sim, sou uma dessas pessoas. Que são mais fáceis de serem entendidas do que se imagina. Aprendi a me expressar. A sorrir e a levantar quando cair, mas não a amar. Não sei se perdoo ou carrego a mágoa. Querem que eu fique e eu sempre quero ir. Mas ir pra onde? Na verdade eu só quero chegar. Não quero esperar.
     Continuo amando minha mãe. Aprendi a falar o que não precisa ser dito, e a ouvir o que não é falado. Sempre quis aprender a pintar, a tocar violão e a cantar. Mas só sei escrever. Nem sempre faço o bem, mas sei quando é minha hora de fazer. Não sinto mais vergonha de cantarolar na rua, e choro por pouca coisa. Tudo que conquisto nunca é o bastante. Aprendi a ver a beleza nas pequenas coisas. E, principalmente, a beleza nas coisas que não são belas. Ainda me restam algumas dúvidas sobre mim. Dou-me conta de que, no final, eu não sou algo para ser compreendido. Só sentido, observado.
     Eu só quero dançar. Falar, fazer. Só quero espalhar minha energia por aí, e não dar de cara com uma senhora rabugenta que não retribua o meu sorriso. Não quero ser julgada pelas minhas escolhas, que tem seus motivos. Quero que minha mãe saiba que continuo amando muito ela, mas que eu escondo alguns segredos. Quero amar sem dificuldade. Tocar e cantar em um barzinho, onde no final, ninguém esteja me ouvindo. Fazer um quadro bem colorido pra por na sala. Conquistar cada vez mais. Ver o mundo de forma diferente a cada dia, e tentar melhorá-lo. Fazer em todos os meus dias o que amo. E por fim, só quero saber pra onde estou indo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Quando eram cinco horas

     Naquele dia nada parecia estar demais. Sentia que algo estava me angustiando, e não sabia mais o que fazer para que passasse. Eram cinco da tarde. E nesse dia, eu não tinha aprendido, não tinha lido, nem escutado. Nesse dia eu somente estava viva, mas ainda não tinha vivido. Notei que tinha sido só mais uma pessoa o dia todo, só mais um ser em cima da terra que não tinha mudado nada, nem melhorado.
     Já eram cinco e um, e eu ainda não tinha levantado. Tinha comido, dormido, acho que nem pensado ainda tinha. Cinco e dois e continuava a mesma, e não me permitiria isso. Cinco e três e ainda não tinha ouvido música. As horas passavam e eu ainda não tinha me movido, feito nada por mim e pelo meu destino.
     Cinco e quatro foi a hora em que finalmente eu levantei. Reclamei por não estar perto de um campo, por não ter uma árvore no quintal pra poder ler um livro escorada nela. Reclamei por não ter liberdade nessa cidade de pedra que não me entende, e que não pode fazer nada por mim. Notei que estava em uma gaiola, e em vez de cantar, estava escrevendo.Vi que a minha liberdade nunca ia ser tão liberta. Vi que por mais que eu tentasse continuaria por aqui... Eram cinco e sete e eu percebi que estava presa em mim mesma. Quando bateu cinco e dez eu me prometi que de algum jeito tinha que mudar. De algum jeito tinha que tentar. Eu tinha que melhorar, evoluir.
     Tanta coisa pra fazer pra uma vida tão curta... Tanta coisa a se aprender, tanto livro pra ler. Tanta música antiga pra escutar. Tanta coisa pra experimentar, tentar. Depois dessa tortura de alguns minutos, quando eram cinco e vinte eu estava caminhando sem saber onde ia. Com o cigarro no meio dos dedos, tentando achar uma saída desse lugar onde eu não consigo me achar e ser inteiramente feliz. Nesse lugar tão frio. Quando eram cinco e meia eu já não era mais a mesma, e ainda queria ir embora.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Tu és feliz?


A felicidade não é algo que precise ser provado a ninguém. Já comecei afirmando, sim. Quem é feliz de verdade até esquece dessa procura insaciável por ser feliz mesmo. Quem é feliz é só feliz e pronto. Sem vírgulas, pontos. Ser feliz é ser feliz.
Será que a felicidade é plena? Minha mãe sempre diz que ‘’temos momentos de felicidade’’, e leva a crer. A felicidade é tão diferente de pessoa pra pessoa. Por isso, não tem como saber fazer alguém feliz assim de primeira, paciência. Sabe aquele negócio de que ‘’quando tu parar de tentar vai conseguir’’? Pois é, dá pra se pensar nisso. Querer ser feliz basta? Acho que não.
E quando chegar a nossa vez? A nossa vez de ser feliz? Vamos saber ser? E se ela nunca chegar? E se chegar e eu não ver? Caraca, que complicado! Essa tal de felicidade sai de uns lugares tão inesperados, que quando eu vi já fui feliz, e nem sou de novo. E pra quem acha que a felicidade é dia de sol, sorvete no verão, e beijo na chuva se engana. A felicidade é temporal. Essa é a hora que nós reclamamos. Algo que nos tira da nossa zona de conforto nos deixa perdidos, sem saber o que fazer, porém feliz. E depois dela, nunca mais somos os mesmos. Essa é a moral da felicidade. A mudança. Ninguém é feliz fazendo as mesmas coisas todo dia.
A felicidade é vendaval. Vem, rápido, passa. Já passou já se foi. Sabe a parte legal? É que se agora tu estás triste, podes ter a certeza de que logo, logo ela passa de novo. Achas que ias conseguir ser feliz todo o dia? Me poupe! Se a felicidade fosse plena, não seria vida. Onde ficaria o aprendizado? E, por fim, não veja a tristeza assim tão triste... Estamos vivendo, certo? E para aprender, precisamos errar. No erro, aprendemos a aceitar, e nessa, quando a vida dá a segunda chance, a gente acerta e pá, ela vem. Peço que pare, pense, reflita, e me diga: Tu és feliz? Se pensou então não é.

domingo, 9 de março de 2014

Essa sou eu


E essa sou eu. Bem perfeccionista. Não começo a escrever antes da fonte ser a Times e o tamanho doze. Na verdade, esse bem perfeccionista não me serve. Se tem uma coisa que não busco é a perfeição. Pelo menos não aos olhos do mundo. Eu enxergo tudo diferente, entenda. Se me mostras branco, vejo uma nuvem.
Gosto de ser assim bem desigual. Tem gente que gosta, e gente que apatia meu ser. Sabem os loucos? Queria eu ser uma verdadeira louca, no sentido literal da palavra. Acho que, por ser assim tão eu, não consigo ancorar em nenhum lugar. Nada que me prende, me apetece. Nada. Liberdade é uma palavra tão mais bonita.
Queria saber pintar. A arte dos outros é tão boa de apreciar. Usar as cores, fazer a felicidade de alguém ao olhar. Pergunto-me se alguém conseguiria entender a minha arte. E afirmo que, nem eu mesma entenderia. Talvez seja esse o problema. Eu não me entendo. Não me entendendo, como vou entender o mundo? Entendes? Nem eu.
Essa sou eu. Bem desinquieta. Essa sim me define bem. Um poço de sentimentos que mudam a cada minuto, ou menos. Mas não se engane, o que não para é a minha mente. Se me encontro meio sedenta, arrede-se, minha cabeça está a mil.
Queria saber escrever música. Pegar um violão, cantarolar por ai quando estivesse afim. Encantar alguém com a minha música, quem sabe até fazer um showzinho em um bar de esquina. Lucrar uma cantada do rapaz embriagado lá do fundo.
Tem tantas coisas. Coisas que eu queria, que não quero mais. Coisas que sempre vou querer, e coisas que volto a querer. Quero que ainda leias um livro meu. E não estou subindo tão alto, não. Se eu não quiser, quem irá de querer por mim? Sabe, caro amigo. Se entender é bem difícil. Depois de todas essas palavras, eu ainda não sei quem sou, francamente, tenho medo de descobrir. Posso ser o que bem pensava, ou... pior.
Só peço que não me prenda. Não ofusque a minha luz desinquieta, branda, que ainda não sabe o que quer. Deixe-me ir à praia. Soprar bolhas quando estiver com vontade. Me deixe cantar bem alto com a minha voz desafinada, e principalmente, não me incomode quando estiver debaixo daquela árvore agarrada em um livro. Vou ficando, por enquanto, mas se eu tiver de ir, irei. E com certeza não vou ficar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Por favor um doce, moço

Tentar e não conseguir. Ver e não enxergar. Sentir e não ter. Querer e não poder. Seres incompletos que buscam a culminante essência da alma. Uma luta, um caminho, que pode ter o sentido da vida. Eu busco a felicidade, a serenidade, mas o que ela é? Será que é isso que eu quero? E a paz? É tão sossegada quanto eu penso? 
Movendo-me com perguntas e questionamentos, crenças que me levantam e me fazem melhor. Acredito em mim e em uma energia maior que faz ser tudo o que deve acontecer. As cores me rondam, mas logo a escuridão volta. Ainda não as domino, elas são ariscas e pequenas, voltem cores. A escuridão é mais fácil. Grande, viciante. 
Como tudo nessa vida, a tristeza também vicia. Reclamar vicia. Baixar a cabeça vicia, desistir, por fim é o que resta. É mesmo? Mas lhe pergunto: As cores não são muito mais bonitas? E você, o que você quer? 
Domine-se. Vença-se. Faça por si. Pense. Fale. Opine. Se contradiga. Reveja seus conceitos. Tente. Teste-se. Caia. Estude. Levante. Consiga. Confie, mas em si. Ninguém está sozinho. Somos dois. O eu que anda por ai, e o eu, eu mesmo, que é o interior. Difícil é ser um só. Inteiramente um só, puramente puro. Ainda falta muito. Pouco vivi, pouco sei. Mas me dá um doce, moço, psicodelia é o que eu quero.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Por que segunda, eu tenho que trabalhar

          Algumas escolhas que tomamos ao longo da vida, fazem ser o que somos mais tarde, isso não resta dúvida. Mas, até que ponto isso influencia? Se eu fumar um cigarro hoje, vou morrer de câncer amanhã? As coisas são tão relativas. Nada é sempre generalizado. Tudo tem uma exceção.
          E que saco de exceção. Tudo, tudo nessa vida tem 50% de chance de acontecer e 50% de chance de dar errado. E nem todo mundo tá mais disposto a querer jogar. Em algumas coisas, é claro. Por que a vida, o cotidiano é todo um jogo. Mas tem gente que apenas desiste. Desiste de tentar, desiste de amar, de falar a verdade, e que desiste logo de viver mesmo. Por causa dessas malditas exceções. E como vou saber se eu sou uma exceção? Essa vida inconstante me deixa bem confusa. As pessoas mudam de um dia pro outro, tanto pra pior quanto pra melhor. Pessoas vêm e vão, aparecem e desaparecem...
          Sabe, caro leitor. Às vezes meio que cansa essa inconstância. Nem todos os dias eu quero viver. Mas é um compromisso meu. Quando dá sete da manhã eu tenho que levantar, tenho que ir trabalhar, e tem mais um monte de compromissos. Sinto que estou me perdendo. E isso não é uma coisa ruim, mas, a minha inconstância de juventude de poder dormir até às onze horas, fazer meia dúzia de trabalhos do ensino médio, tirar notas boas fácil e ainda sair com os meus amigos simplesmente acabou. E eu nem vi. Agora é responsabilidade pra cá e pra lá, horário pra tudo, ultimamente, dependendo, tenho até que planejar o meu dia. E eu, não me sinto preparada ainda.

        Mas a vida vai me testando, e eu não posso desistir. Eu tenho que crescer e seguir. Deixar de viver de verdade não é fácil. Trabalhar é bom, ter o próprio dinheiro é bom. Mas a vida dos 15 aos 17 anos que eu tive não tem preço. Então, se alguém que está lendo minhas humildes palavras, ainda não tem todos os compromissos que a vida vai dar, eu dou um conselho: Aproveita. Não to dizendo pra sair por aí, virando lata e fazendo o que não deve. Tô dizendo pra rir, sair, namorar, dar furo, andar de roda gigante, dizer que tá apaixonado, dormir na casa do amigo(a), viver mesmo. Depois, se vive também. Mas não como antes. Por que segunda, eu tenho que trabalhar.